Retrospectiva 2025 da Saúde e Segurança do Trabalho: o que mudou e o que esperar para 2026

O ano de 2025 representou um divisor de águas para a Saúde e Segurança do Trabalho (SST) no Brasil. Mais do que a evolução natural das normas, o período consolidou uma mudança estrutural na forma como riscos ocupacionais são identificados, monitorados e fiscalizados. A SST deixou de ser uma área operacional, acionada apenas em momentos pontuais, para assumir um papel estratégico nas decisões jurídicas, financeiras e de governança das organizações.

A grande virada foi na integração de dados. Com a consolidação do PPP Eletrônico, a maturidade do eSocial e o avanço do cruzamento automatizado de informações pela Receita Federal, a chamada “invisibilidade” dos riscos ocupacionais deixou de existir. Hoje, aquilo que é declarado, pago e praticado no ambiente de trabalho precisa estar tecnicamente alinhado – e rastreável.

A consolidação da fiscalização digital

Durante muitos anos, documentos como PGR, PCMSO e LTCAT foram tratados como registros estáticos, preparados apenas para atender a exigências formais. Em 2025, esse modelo mostrou-se insuficiente. A fiscalização tornou-se predominantemente digital, baseada na análise cruzada de dados enviados pelas próprias empresas.

Folha de pagamento (eSocial), eventos de SST (como o S-2240) e o PPP Eletrônico passaram a formar um ecossistema único de fiscalização, conforme orientações disponíveis no portal oficial do eSocial. Como resultado, inconsistências que antes passavam despercebidas passaram a gerar notificações, autuações e questionamentos previdenciários de forma contínua.

Saúde mental no centro do debate regulatório

Se a fiscalização digital foi o grande destaque tecnológico, a saúde mental foi o principal alerta humano, econômico e regulatório de 2025. O aumento expressivo dos afastamentos por transtornos mentais colocou os riscos psicossociais de forma definitiva no radar da SST.

Dados do Ministério da Previdência Social, divulgados por veículos como a Agência Brasil, indicam que o país ultrapassou 470 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024, um crescimento superior a 60% em relação ao ano anterior. Ansiedade, depressão, estresse crônico e síndrome de Burnout deixaram de ser exceções e passaram a refletir transformações profundas na organização do trabalho.

O reflexo direto no NTEP e no FAP

Esse cenário trouxe efeitos diretos para as empresas. A depender da caracterização do afastamento, os benefícios concedidos pelo INSS podem ser enquadrados como previdenciário (B31) ou acidentário (B91). Quando há reconhecimento de Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) entre o adoecimento e a atividade econômica, inclusive por critérios epidemiológicos, esses benefícios passam a impactar o  Fator Acidentário de Prevenção (FAP), conforme regras disponíveis no portal do INSS.

Na prática, empresas que não revisaram seus processos de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), incorporando riscos psicossociais e ergonômicos, sentiram esse impacto diretamente no custo da folha ao longo de 2025.

Governança, ESG e responsabilidade ampliada

Outro movimento relevante observado em 2025 foi a consolidação da SST como um indicador de governança corporativa. Grandes empresas, fundos de investimento e contratantes passaram a exigir não apenas regularidade fiscal, mas evidências objetivas de gestão de riscos, controle de acidentes e maturidade em SST.

Esse avanço dialoga diretamente com a agenda ESG (Environmental, Social and Governance), especialmente no pilar social. Ao mesmo tempo, decisões reiteradas do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reforçaram a responsabilidade das empresas na gestão de terceiros, ampliando o rigor sobre documentos, programas e laudos apresentados por prestadores de serviço.

Um risco silencioso que persiste: a fragmentação das informações entre RH e SST

Apesar da evolução tecnológica e do avanço da fiscalização digital, 2025 deixou claro que um dos maiores pontos de vulnerabilidade das empresas não está na falta de sistemas, mas na fragmentação das informações internas. Em muitas organizações, RH, folha de pagamento e Saúde e Segurança do Trabalho ainda operam como ilhas, com fluxos de comunicação que não acompanham a velocidade exigida pelo eSocial e pelos sistemas governamentais.

Mudanças de função, realocações internas, alterações de jornada ou de atividades costumam ser registradas rapidamente nos sistemas de RH, enquanto a atualização dos riscos ocupacionais, dos eventos de SST e do PPP ocorre de forma tardia. Esse descompasso cria o que especialistas vêm chamando de “erros silenciosos” na gestão de SST: situações em que a empresa acredita estar regular, mas declara ao governo uma realidade que já não corresponde ao dia a dia do trabalhador.

Esse tipo de falha não gera alertas imediatos, mas se torna altamente relevante quando os dados passam a ser cruzados automaticamente. A fiscalização eletrônica identifica lacunas temporais, inconsistências entre função, risco e remuneração, e divergências no histórico laboral do empregado, abrindo espaço para notificações, autuações e questionamentos previdenciários.

Em um cenário de fiscalização contínua e orientada por dados, a integração efetiva entre RH e SST deixou de ser uma boa prática e passou a ser uma condição básica de conformidade.

O que 2026 tende a exigir das empresas

Olhando para 2026, a tendência é clara: a fiscalização será cada vez mais preditiva, orientada por dados e por padrões de risco. O conceito de GRO estático perdeu definitivamente seu espaço. A própria NR-1 reforça a necessidade de atualização contínua do gerenciamento de riscos sempre que houver mudanças de processo, layout, função ou tecnologia.

Além disso, a integração entre eSocial, PPP e sistemas do INSS tende a se aprofundar, impactando concessões de benefícios, aposentadorias especiais e, potencialmente, ações regressivas quando forem identificadas falhas na prevenção. 

Experiência, consistência e visão estratégica

O cenário que se desenha não comporta soluções genéricas ou abordagens superficiais. A complexidade do cruzamento de dados, aliada ao rigor crescente da fiscalização digital, exige experiência prática, leitura estratégica e domínio técnico.

Com 35 anos de atuação contínua, a Ocupacional reúne histórico, conhecimento normativo e vivência de campo para apoiar empresas na construção de uma SST sólida, integrada e juridicamente segura. Mais do que cumprir exigências legais, o desafio agora é transformar a SST em um instrumento real de proteção ao negócio e às pessoas.

2025 deixou uma mensagem clara: dados inconsistentes geram prejuízos imediatos.
2026 exigirá precisão, integração e maturidade na gestão de riscos ocupacionais.

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dezembro 22, 2025

Em 2025, a saúde e segurança do trabalho passou por uma transformação estrutural no Brasil, marcada pela fiscalização digital, integração de dados do eSocial e PPP Eletrônico e pelo avanço da saúde mental como risco ocupacional. O cenário de 2026 exige das empresas uma gestão integrada de SST, alinhada à governança, ao ESG e ao gerenciamento contínuo de riscos, para reduzir passivos, custos previdenciários e inconsistências fiscais.

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