O que você precisa saber sobre o novo manual de adequação à NR-1 do MTE

Desde que foi anunciada a atualização da NR-1, com a inclusão da gestão de riscos psicossociais, muitas empresas ainda têm dúvidas sobre como colocar a nova exigência em prática no dia a dia.

Com a vigência prevista para maio de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), trazendo orientações mais claras para apoiar esse processo.

Neste artigo, você vai entender os principais pontos do manual e o que sua empresa precisa considerar para fazer a gestão da forma correta e dentro do prazo.

O que o novo manual propõe?

Elaborado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, o manual reúne orientações para apoiar as empresas na identificação, avaliação e gestão dos riscos ocupacionais, com destaque para os riscos psicossociais, contribuindo para uma aplicação mais clara das atualizações recentes da NR-1.

O objetivo não é definir metodologias rígidas, mas orientar as empresas na estruturação de processos que atendam às exigências legais de forma adequada, contínua e alinhada à sua realidade.

Principais pontos que a sua empresa deve saber

GRO como ferramenta de gestão ativa

Um dos pontos centrais do manual é o reforço de que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) não é um procedimento pontual, mas um processo contínuo, integrado às atividades da empresa e orientado à melhoria permanente das condições de trabalho.

Para isso, o material destaca a aplicação do ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) como base da gestão:

  • Planejar: definir metas e estratégias;
  • Implementar: executar o plano e integrar ações propostas aos processos;
  • Acompanhar: monitorar e acompanhar o progresso, tal como os resultados;
  • Melhorar: revisar, manter e melhorar as ações propostas.

O manual também detalha o passo a passo para a implementação do gerenciamento, incluindo a identificação de perigos, avaliação de riscos e definição de medidas de controle. Além disso, reforça que esse processo deve ser formalizado com o PGR por meio do Inventário de Riscos Ocupacionais e do Plano de Ação em todos os estabelecimentos da organização.

Integração do GRO a outras NRs

Um dos pontos altos do manual é o reforço da integração com outras Normas Regulamentadoras, especialmente a NR-17 (Ergonomia)

O material destaca que o gerenciamento de riscos deve considerar as condições de trabalho sob a ótica da adaptação do trabalho ao trabalhador, o que se torna ainda mais importante no tratamento dos riscos psicossociais.

Na prática, isso significa que informações da Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e da Análise Ergonômica do Trabalho (AET) não devem ficar isoladas. Elas precisam alimentar diretamente o inventário de riscos do PGR, que passa a funcionar como um ponto de integração, reunindo diferentes análises e orientando ações de forma mais completa e consistente.

O mesmo vale para dados de outras normas, como a NR-9 sobre a exposição a riscos ambientais (físicos, químicos e biológicos), que também devem ser considerados.

Diferença entre perigo e risco ocupacional

O manual ajuda a separar esses conceitos para evitar erros técnicos no preenchimento do seu inventário, inclusive no diagnóstico psicossocial:

Perigo: é a fonte ou situação com potencial de causar dano, como sobrecarga de tarefas, cobranças excessivas ou falta de suporte da liderança. Mesmo que o dano ainda não tenha ocorrido, esses elementos já representam um fator de atenção;

Risco: é a combinação entre a probabilidade desse dano acontecer e a gravidade das consequências para o trabalhador, como estresse crônico ou burnout.

Participação ativa e comunicação aos colaboradores

O envolvimento dos trabalhadores não é opcional, é parte essencial para o funcionamento do GRO. O manual destaca que a experiência prática no dia a dia contribui diretamente para identificar perigos, avaliar situações e melhorar continuamente o processo.

Para isso, a empresa pode ouvir a CIPA, quando houver, ou consultar os colaboradores diretamente ao longo de todo o processo de gerenciamento.

Além disso, a comunicação sobre riscos e medidas de prevenção deve ser constante e acessível, utilizando canais como: comunicados de SST, e-mails, cartazes e ações como a SIPAT. O ponto central é que essa comunicação seja uma via de mão dupla, incentivando não apenas a informação, mas a participação ativa da equipe.

Ausência de método definitivo para gestão dos riscos

Não há uma metodologia obrigatória definida pelo MTE para a avaliação dos riscos, incluindo os psicossociais, ou seja, não existe exigência de uso de questionários, pesquisas padronizadas ou ferramentas específicas. 

As empresas têm liberdade para estruturar seus processos conforme sua realidade, desde que garantam coerência técnica, critérios bem-definidos, vínculo com as atividades reais de trabalho e a devida documentação, além do acompanhamento contínuo das ações de prevenção. 

Por essa falta de definição, muitas empresas ainda se sentem perdidas sobre como se adequarem às novas exigências.

Na dúvida, faça sua adequação com quem entende

A Ocupacional apoia sua empresa em todas as etapas da adequação à NR-1, do diagnóstico dos riscos psicossociais à gestão contínua da saúde mental e do bem-estar dos colaboradores, com soluções completas e alinhadas à sua realidade.

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